A FÁBRICA DA PREGUIÇA

O lugar em que surgem, surpreendidos e orbitantes, os produtos da alma marismática, entre as torres da incerteza e a carne acumulada da solidão.

27.11.05

LITERATURA GALEGA AINDA NÃO EXISTE

Lestes as últimas declarações de alguns destes intelectuais galegos que criticam a pobreza literária da Galiza e sua dependência da literatura espanhola?

Alfredo Conde: «Temos unha boa literatura sen lectores»; «perdeuse a busca da excelencia. Publicouse tanto e tan indiscriminadamente que non hai autores de referencia na literatura moza galega»; «a cultura nosa é un enxendro e eu non lle auguro un bo porvir».

Ramiro Fonte: «O contexto literario galego necesita referentes claros de raíz cultural e lingüística»; «a literatura galega existe porque existe Rosalía»; «eu teño un malísimo concepto do ambiente cultural galego».

Luisa Castro: «Culturalmente temos que despertar. Ten que ver coa cultura, non coa literatura. Boto en falta unha curiosidade intelectual e de lectura»; «a literatura galega actual deriva da construcción artificiosa desa cultura como instrumento político».

A modo de salada de ideias, podemos resumir que:
1) A causa da ausência de um critério qualitativo o corpus da literatura galega nem tem presente nem tem futuro. O que existe é um decorado sem fundo, sem valor, falso.

2) O ambiente cultural em que deve surgir a arte literária merecente de tal nome é um território sem vida, com nulo interesse não só pelo cultivo intelectual mas nem tão só pela leitura.

Afinal, eles é que sabem. Suponho.

1 Comments:

Anonymous Ramiro said...

Acho que também influi muito o não querer reconhecer a tradição escrita na própria língua em Portugal e nos outros continentes. Isso faz que a preocupação fundamental dos que escrevem desde essa perspectiva seja "normalizar" a variante empobrecida que eles empregam, procurando objectivos anteriores à própria criação literária.
Tudo isso complica-se com questões de relações de poder e discursos nacionais que explicam muito melhor do que eu Mário ou Celso.
Ainda assim há casos em que há muita qualidade. Resta-nos saber que aconteceria se lograssem focalizar o seu trabalho sem as mediatizações comentadas anteriormente.
Contodo, acho que o melhor para quem não partilhamos esse modelo é criar e criar desde as nossas plurais perspectivas. Não só por vontade mas também por necessidade interior -e mesmo exterior, acrescentaria-.

4:23 da tarde  

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